E o povo ucraniano?

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Nas últimas semanas, a invasão da Rússia tem sido escrutinada por todos os meios de comunicação. Estes têm-se focado nas várias consequências que advêm da guerra: as sanções que os países da União Europeia estão a aplicar, o papel dos americanos, a atuação da NATO, as exportações dos russos, nomeadamente o gás e o petróleo, o suposto ataque nuclear iminente… Estes pontos são todos válidos e importantes, contudo surpreende-me o facto de pouco se falar da crise humanitária que esta guerra já está a provocar e que tudo aponta para que continue.

Todos sabemos que estas questões económicas e políticas são importantes, mas será que não nos devíamos preocupar com as pessoas em primeiro lugar? É essencial termos noção que existem, neste preciso momento, famílias desfeitas, onde o homem ficou para lutar pelo seu país e deixou a sua mulher e filhos num autocarro, com um pouco de dinheiro, desejou boa sorte e deu apenas um beijo na testa num ato de coragem. Eles ficam a lutar pela liberdade de um povo e estas mulheres sozinhas fogem para o incerto com os seus filhos pela mão com o objetivo de os proteger.

E agora pergunto-me: Como é que estas pessoas se vão alimentar nos próximos meses? Onde é que vão viver? Onde é que os filhos vão estudar? Quanto tempo mais terão de estar separados dos seus familiares? Quanto tempo mais o modo de sobrevivência destas pessoas terá de estar acionado? Vão viver em campos de refugiados durante quantos meses? Onde é que as mulheres grávidas vão ter acompanhamento médico necessário? E que condições serão estas? No meio de um bunker cheio de gente, sem apoio familiar e médico! E os idosos como vão sobreviver sem a sua medicação e sem um lugar quente? E será que nós temos condições para recebermos tantas pessoas, apesar da vontade de acolher todos? Conseguiremos ajudar a ultrapassar estas feridas abertas que não precisam de paracetamol nem de compressas, mas sim de toda uma nova definição de lar? Conseguiremos dar esse apoio a todas as pessoas?

A verdade é que os países da União Europeia uniram-se, minimamente, para conseguir superar algumas destas dificuldades. Há imensos pedidos de apoio e de donativos com vista a apoiar o povo ucraniano que, neste momento, mais do que uma crise económica enfrenta uma crise humanitária.

Peço-vos que não se esqueçam que, se para nós o problema maior de todos é, atualmente, não se falar de outro tema para além do conflito enquanto assistimos a televisão e comemos uma refeição quente no conforto da nossa casa que não está a ser invadida, neste exato momento, milhares de ucranianos não sabem quando vão voltar a comer, a ver a sua família ou a ter um espaço que possam chamar casa!

As pessoas têm de vir SEMPRE em primeiro lugar!

Escrito por: Inês Gonçalves

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