O Algarve («ocidente», em árabe) tem uma área de 5412 km2 e população de 451 005 habitantes de acordo com o Censos 2011 (4,5% do Continente, 4,3% de Portugal), o clima temperado mediterrânico, as paisagens naturais e as praias, o património histórico e etnográfico e gastronómico tornam-no uma região turística de relevo europeu.

Tem o terceiro PIB per capita das regiões portuguesas, a seguir a Lisboa e à Madeira, e 86% da média europeia.

Ao Algarve não se adequam alguns dos modelos de compreensão geralmente propagandeados, o que forçosamente tem de começar a ser corrigido e complementado. Urgentemente. E tem de ser corrigido numa primeira fase, em consonância com um esforço de planeamento de curto prazo. Sobretudo, a gestão da água e a dos recursos naturais e a gestão financeira e económica das vias rápidas rodoviárias.

O aeroporto de Faro tornou-se um notório fator de importância na balança de transações correntes de Portugal mas sofre de constrangimentos no acesso do turismo ao Algarve. Este estrangulamento a uma exportação nacional de serviços deve ser a curto prazo ultrapassado pela ampliação de um segundo aeroporto a barlavento.

Desde há muitos séculos que o Algarve é reconhecido como sendo algo que ultrapassa a importância de ser apenas uma região de apetecível sol e mar. Não perdendo de vista a importância que o complexo sol-mar-golfe-congressos assume na sua economia, o seu maior potencial reside na extraordinária potencialidade e variedade de produção de frutos únicos, extremamente precoces, e produtos frescos únicos.

A perspetiva de facilitar agroindústrias transformadoras na área do figo, da alfarroba (essências de alto valor acrescentado), citrinos, produtos frescos embalados, aromáticos alimentares, vinho de qualidade, sal de qualidade, frutos diversos mediterrânicos, amêndoa, derivados de pesca, deveria ser objeto dos novos discursos de empreendedorismo que o Estado assume agora.

Toda a zona carece de estruturas logísticas. A própria segurança alimentar do Algarve é um ponto de fragilidade e as redes de armazenamento e distribuição ou redes de frio ou de conservação estão ainda numa situação bastante atrasada para o que seria de desejar.

O eixo ferroviário algarvio é totalmente desadequado para a região e não obstante estar em grande parte eletrificado é utilizado por material circulante obsoleto, a diesel, e que consome enorme parcela das receitas em combustível, não respeitando horários desejáveis e sendo mmarcadamente excêntrico relativamente aos centros urbanos.

Esquecido pela rede de gás natural, os pressupostos aplicados à generalidade do resto do Litoral português têm obrigatoriamente de ser aplicados ao Algarve, aparte de qualquer racional de privatização da rede em «alta».

Por seu lado, a faixa litoral entre Faro e Albufeira, que hoje em dia se assemelha a uma área metropolitana dispersa, não é servida por um sistema de transportes públicos minimamente razoável em relação aos tempos gastos. É altura de começar a pensar um metro ou comboio ligeiro de superfície paralelo à atual Estrada Nacional 125, de forma a elevar os fatores de produtividade desta faixa litoral especialmente dedicada aos serviços.

O Algarve, território superdotado, tem sido totalmente esquecido pelos centros de planeamento e afiguram-se altamente recompensadores os investimentos que possam vir a ser nele aplicados, no justo momento, como foram a seu tempo recompensadores os investimentos em saneamento básico e abastecimento de água em Alta. Chegou agora o momento de pensar os transportes regionais de grande capacidade.