Que ano foi este, 2021?

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No fim daquilo que é outro ano da incontornável Pandemia, queria fazer um pequeno resumo daquilo que foi a vida nacional e internacional. Sei que será um artigo sem muito detalhe, mas a falta de tempo e a baixa capacidade de atenção de todos nós hoje exigem-no.

Assim, e sem mais demora, apresento-vos: 2021!

2021 começou com o mundo em caos, especialmente Portugal, que nessa altura era um dos piores países em termos de Covid-19 e que agora todos esquecemos, muito convenientemente para António Costa. Nesses dias de janeiro e fevereiro que corriam, centenas de portugueses morriam de coronavírus, chegando a ser mais de 300 os óbitos diários. No meio de tudo isto, aconteceram as eleições presidenciais portuguesas. Ao que tudo indica decorreram com a maior normalidade e segurança, ainda que 60% das pessoas tenha decidido que o resultado esperado (Marcelo ganhou facilmente) e o medo do vírus eram boas razões para não esperar 10 minutos numa fila para preencher um papel (eu demorei apenas 8 minutos). 

Quanto ao resto do mundo, as eleições americanas tinham acontecido há escassas semanas e uns quantos anormais, mais que incentivados pelo Presidente da altura, decidiram que uma boa maneira de demonstrarem o seu desagrado com os resultados de uma eleição democrática seria invadirem o Capitólio dos Estados Unidos. 

Deixem-me relembrar-vos: alguns destes sábios cidadãos levavam balas suficientes para assassinar cada um dos deputados do Congresso americano.

Felizmente uma parte considerável destas pessoas foi presa, mas não antes de várias pessoas acabarem mortas.

Alguns dias mais tarde, Joe Biden seria eleito Presidente.

Ao mesmo tempo que isto acontecia, uma espécie de BlockBuster para jogos recebeu imensa atenção mediática, porque investidores freelancer fizeram disparar o valor das suas ações, custando rios de dinheiro a fundos de investimento, naquilo que foi um episódio muito divertido para qualquer pessoa que estivesse a ver de fora.

É triste notar que mesmo em 2021 os conflitos armados não cessaram. A Arménia e o Azerbeijão envolveram-se num conflito armado que viu os últimos saírem vencedores com auxílio da Turquia.

Falando da Turquia… Erdogan continuou a sua governação hostil à democracia, à estabilidade da Lira Turca – que viu o seu valor descer quantidades gigantes este ano devido a medidas heterodoxas por parte do banco central turco, com interferência do governo – e à estabilidade da periferia europeia.

O conflito vigorou ainda entre Israel e o Hamas e na Etiópia, onde uma guerra civil está a levar milhões à insegurança alimentar.

Mas num dos locais mais inóspitos e isolados do mundo, o conflito diminuiu…

Já a meio do ano, a nova administração americana levou a cabo a retirada das suas tropas do Afeganistão. Esta retirada não tinha sido planeada pela administração atual, nem a guerra que decorria era culpa sua, mas o péssimo desempenho logístico por parte da administração Biden e a péssima posição em que a retirada negociada por Trump meteu os aliados da NATO levou a uma veloz queda do regime Afegão e a uma saída desastrosa e humilhante de Kabul, deixando muita gente em risco para trás.

Hoje, a insegurança é muita. Os Talibãs tomaram conta do país e levam-no num caminho de menos direitos humanos e de crise económica. Enquanto isso, a ISIS-K aumentou a escala dos seus ataques terroristas e o perigo na região nunca foi maior nestes últimos 20 anos.

Então a paz é isto…

Como se isso não bastasse, o ditador bielorrusso decidiu que iria fazer a UE sofrer usando refugiados afegãos e de outros países em crise como arma de arremesso. A UE não cedeu, mas também não se pode dizer que agiu de forma totalmente correta.

Voltando a Portugal: no verão, Eduardo Cabrita decidiu relembrar a todos os portugueses que os ministros têm tratamento especial na estrada, tendo o carro em que este ia atropelado um trabalhador na autoestrada. Cabrita envolveu-se numa aura de arrogância, como é seu hábito e tratou o caso com todo o tipo de declarações lamentáveis que alguém poderia imaginar. Finalmente, o ministro acabou por se demitir no fim do ano, mas por todas as razões erradas.

Apenas 3 meses após isso, o PS ganhava as eleições autárquicas, mas com pesadas derrotas lá pelo meio, vendo a sua vantagem face ao PSD diminuir, naquilo que pareceu dar imensa confiança à direita democrática portuguesa. É de realçar ainda o péssimo resultado por parte do PCP e BE, que viram a sua presença autárquica diminuir significativamente, especialmente o PCP.

As autárquicas trouxeram uma nova esperança à direita. Portanto, quando o Orçamento de Estado foi chumbado, algo inédito na 3ª República, devido a desentendimentos entre a esquerda, aquilo que as lideranças do PSD e CDS decidiram que iam fazer era agir da forma menos democrática possível e adiar os congressos dos partidos para a escolha de líder.

Rui Rio foi mesmo obrigado a ir a votos e mesmo assim safou-se bem contra Paulo Rangel, ainda que por escassa margem, numa aura de salvador do PSD que Rui Rio nunca pareceu realmente ter, mas que as sondagens indicam agora ser reconhecida por um número maior de portugueses. Ou isso ou as pessoas estão tão cansadas do PS e acham que o PSD faria um trabalho melhor.

Já Chicão arrasta o CDS, com a ajuda dos seus opositores internos e restantes bebés gigantes, para uma cada vez maior irrelevância, fazendo até birra quando a direção do PSD decidiu não ir coligada a eleições.

O resto do mundo viu também vários atos eleitorais acontecerem, desde um êxito enorme da esquerda Chilena, a um ataque monumental à democracia em Hong Kong. Também a Alemanha, o Japão, o Irão , Cabo Verde e a Argentina – entre outros – viram atos eleitorais importantes. A Bulgária gostou tanto que teve múltiplas eleições seguidas.

Enquanto isto acontecia, estávamos todos no meio de uma Pandemia e o processo de vacinação – sim, as vacinas tinham chegado finalmente – foi marcado por muita desigualdade entre países e uma incapacidade de se compreender que uma Pandemia global é travada apenas quando todos os cantos do mundo são tratados por igual.

 

No final disto tudo, que raio de ano foi este, 2021?

 

Escrito por Henrique Eira

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