Como todo o país, o Nós, Cidadãos! assistiu com indignação crescente ao desenrolar dos acontecimentos da CGD. Agor,a a 27/11, o presidente nomeado veio apresentar a demissão, deixando a imagem do banco seriamente lesada.

Nas últimas cinco semanas, o assunto da CGD foi manchete dos jornais e dos órgãos de informação. Todos os responsáveis envolvidos, seja o governo, sejam os deputados, sejam os partidos políticos, sejam, ainda, os líderes de opinião, não se cansaram de repetir, quase até à exaustão, que o interesse da CGD devia ser salvaguardado a todo o custo.

O episódio reflete a grave crise por que passam as instituições da democracia portuguesa, o desrespeito com que as máquinas políticas tradicionais tratam de um valiosíssimo bem público, os jogos de bastidores, os “amiguismos” e a pós-verdade que é servida aos Cidadãos.

O desenlace a 27/11 vem demonstrar que o interesse nacional não foi acautelado. Nenhum responsável político deixou de se envolver neste triste episódio que, esperemos, tenha terminado ontem. António Domingues passa à história como indivíduo sem escrúpulos nem transparência e que, tendo aparentemente feito fortuna num banco privado não a quis comunicar ao ser chamado a gerir um bem público.

Vivemos num mundo em que a informação é globalizada. Portugal faz parte da zona euro e os seus bancos, incluindo a CGD, estão sob a alçada do BCE. Desde há dois anos que se sucedem episódios que ferem a credibilidade do nosso sistema financeiro, desgastando a capacidade para contribuir para o relançamento do país que esteve à beira da bancarrota. 

A CGD é o maior banco nacional e o único com capital e controle totalmente português, o que deveria obrigar os responsáveis pelos interesses nacionais a cuidarem melhor do modo de gerir essa instituição.

Após esta demissão de triste memória, o Nós, Cidadãos! exige que além de os intervenientes assumirem responsabilidades, a normalidade na CGD seja reposta com celeridade, e o episódio não se venha a repetir.

Nós, Cidadãos!, 28 de novembro de 2017