NÓS, CIDADÃOS! congratulamo-nos com a anunciada suspensão das sanções a Portugal e felicitamos todos os agentes políticos nacionais pelo empenho e esforço que realizaram em prol do resultado alcançado, que vem demonstrar que é possível encontrar na sociedade portuguesa e na nossa classe política plataformas de entendimento em prol do bem comum. A nosso ver, outras questões poderiam e deveriam merecer o mesmo esforço de entendimento alargado.

A não aplicação de coimas pela CE foi uma vitória dos portugueses. Todos. Porque através dos mais diversos meios, instituições, associações e, principalmente como Cidadãos, se preparavam para repudiar mais uma decisão que acarretaria severas dificuldades e um continuado esforço para vencer obstáculos pelos quais não devem ser responsabilizados.

A avaliação interna do FMI já admitiu que o famoso Memorando e a receita austeritária que nos impuseram estavam errados e que essa foi a causa fundamental para as metas não terem sido alcançadas. Precisamente por isso, consideramos indispensável que sejam revistos os pressupostos do incumprimento do défice, que deram origem à ameaça de sanções. Neste momento, ainda pende a possibilidade de bloqueio dos fundos comunitários, que acarretará consequências gravíssimas para a economia nacional.

Quanto à aposta estratégica de Portugal na União Europeia, importa compreender que esta se encontra num processo de mutação, de contornos ainda muito indefinidos. Também aqui importa promover consensos o mais amplos possíveis, de modo a reforçar a nossa posição, que é a de resgatar a Europa dos cidadãos, nos termos do seu desígnio original, da solidariedade das Nações, contra a imposição de directórios que comissionam os interesses partidários e económicos dos mais fortes, com sacrifício dos países mais pobres. Como se pode ler no nosso programa político: “precisamos de reforçar a nossa posição na zona euro, em parceria com os países do sul da Europa, sem esquecer outros países com os quais tenhamos mais afinidades: em termos de escala territorial e demográfica. Cumulativamente, Portugal deve reforçar a sua posição à escala global, sem esquecer as várias comunidades emigrantes, diversificando as suas parcerias” – em particular, conforme aí se defende, com os restantes países de língua portuguesa.

O recente episódio demonstra que os maniqueísmos do “tudo ou nada”, dentro da União ou fora dela, não são as únicas vias possíveis. Existem, como se tem vindo a demonstrar, vias alternativas, que não põem em causa o quadro institucional europeu. Em Portugal, o NÓS, CIDADÃOS! pretende ser essa via, essa voz alternativa.

A Comissão Política Nacional do NÓS, CIDADÃOS!
30 de Julho de 2016