A União Europeia foi criada há quase 60 anos com o primeiro objetivo de promover a liberdade, a democracia, os direitos humanos e o primado da lei, elementos de um estado de direito. Foi também criada para evitar um novo banho de sangue, como o provocado pelas ditaduras que desencadearam a segunda guerra mundial e todo o conjunto de horrores que acompanharam os regimes de partido único, doravante banidos do cenário europeu.
No passado domingo, de 25 de janeiro de 2015, a democracia e o primado da lei ocorreram na Grécia. O povo grego escolheu livremente e em plena consciência o seu destino para os próximos quatro anos. As propostas do SYRIZA e de todos os que querem uma via alternativa foram acolhidas por mais de 2/3 do eleitorado grego. O governo cessante e que tinha o ululante apoio da maioria dos nossos parceiros europeus, incluindo a coligação em funções em Portugal, apenas conseguiu uns míseros 25%.
O conservadorismo europeu, protagonizado pela esquerda caviar e a direita dos ministros e organizações internacionais, num gesto sem precedentes, tentou condicionar a liberdade dos gregos nossos concidadãos. O espetáculo confrangedor oferecido pela maioria dos políticos parecia o que sucedia quando parte importante da Europa era dominada pela ex-União Soviética.
O povo grego escolheu maioritariamente uma via diferente da austeridade que lhe fora imposta até agora e que, em certo sentido, tem agravado os problemas. Cinco anos é tempo mais do que suficiente para a maioria entender que as soluções aplicadas não resultam e  que cabe a cada povo escolher.
A escolha do povo grego tem de ser respeitada e, nos meses mais próximos, bem ponderada, porque só há política democrática com o apoio dos cidadãos. Um ministro de Napoleão comentou um dia que, com as baionetas, se pode fazer tudo menos sentarmo-nos em cima delas. Não é com ameaças veladas ou às claras que os cidadãos irão aderir.
Hoje em dia, o projeto europeu é sufragado apenas por uma maioria simples de cidadãos. Muitos europeus votam em partidos ou movimentos anti-europeus.
O resultado do SYRIZA deve ser entendido com um sinal de alerta para todos, NÓS CIDADÃOS e europeus, tanto os que consideram que as propostas do partido vencedor são as mais adequadas, como os que pretenderam impor aos outros as escolhas que consideram mais adequadas.
A Europa existe há mais de 1.500 anos e todos nos conhecemos há muito. Não existem alibis ou desculpas por ignorância, o projeto europeu foi abraçado por todos sabendo o que cada um valia. Não é credível que povos com uma história e culturas tão ricas não encontrem as soluções que permitam acomodar todos sem que tal signifique espezinhar o outro.
Nós, Cidadãos!
31 de janeiro 2015