O modelo económico neo-liberal assenta num crescimento económico que promove o consumismo mediante endividamento. E o consumismo promove uma competição não produtiva entre pessoas à busca de um estatuto social cujos impactos nocivos estão à vista. É o jovem que tem dinheiro para o ipod mas não para o almoço na escola. É a família que comprou um Audi em leasing mas já não tem dinheiro para o combustível; são os avós a fazer de segurança social dos netos, porque os pais perderam o emprego na empresa que vendia gadgets; os comportamentos consumistas surgiram porque a sociedade, a publicidade, a desregulação governamental os empurra para aí; e no fim, as dívidas.

A cultura do consumismo é alimentada pelos “media” com a publicidade e com os sinais culturais que incentivam as pessoas a presumir que a sua identidade e sentido de vida reside na posse de cada vez mais bens materiais. Também é decisivo enfrentar a durabilidade dos produtos de consumo. A obsolescência planeada dos produtos da economia do “usa e deita fora” degrada os direitos e os interesses legítimos das pessoas enquanto consumidoras e cidadãs

Uma nova sociedade exige muita mudança no que toca ao consumismo. Suécia e Noruega proibiram a publicidade televisiva para menores de 12 anos. São Paulo criou zonas sem publicidade, a «Cidade Limpa». As boas televisões de serviço público, como a BBC, mas não a RTP, sabem o que fazer. A iniciativa “Comércio Justo” mostra empresas com critérios para proteger trabalhadores e consumidores. Muitas associações locais batem-se pela salvaguarda de espaços públicos face à agressão comercial.

A cultura e a lógica social do consumismo só serão substituídas com esforços concertados da sociedade, do governo e das empresas. Esse esforço só dará resultado, se em vez de querer punir a atitude consumista, surgirem alternativas viáveis, garantindo às pessoas capacidades de se realizarem.