A Grande Lisboa é uma área metropolitana e sub-região estatística portuguesa (NUTS III) com uma área de 1381 km2. Abrange oito concelhos e uma população de 2 042 326 habitantes (censos de 2011) de Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sintra e Vila Franca de Xira.

É referida como a região mais beneficiada pelas suas características geográficas de todo o território continental, a zona decisiva a assegurar em todas as crises históricas para sermos uma nação independente, e o ponto de encontro cosmopolita entre o país e o mundo.

Na atualidade, para quem se desloca na Grande Lisboa é dado a conhecer o fenómeno bizarro de constatar que Lisboa cidade, nos seus limites, perde população a um ritmo acelerado conquanto beneficie de vultuosos orçamentos mas os esbanje em planeamentos e obras duvidosas. Não atrai os jovens, não atrai as empresas, não retém as pequenas indústrias, não melhora o espaço público.

Contrariamente, nas coroas periféricas, outrora de muito pior qualidade urbana, o espaço menos sujeito a especulação torna-se cada vez mais organizado e atrativo, casos da Amadora, Oeiras, Sintra. É também assinalável como os espaços gerido pela Administração Autónoma do Porto de Lisboa tem assistido a um crescimento económico em contraciclo com a crise.

A área metropolitana de Lisboa é um sistema hiperinfraestruturado mas infelizmente desarticulado ou desoperacionalizado. Este anquilosamento de sistemas afeta fortemente a economia de serviços do pais e diretamente as receitas do Estado. É prioritário refletir o espaço de fronteira da capital com as cidades periféricas aproveitando as potencialidades que se abriram com as novas circulares, a linha ferroviária de cintura e abertura da CRIL, IC16 e IC17. É prioritária a compreensão das potencialidades de articulação da linha ferroviária de cintura, hoje em dia integralmente quadruplicada até ao Cacém, com a linha do Oeste, verdadeira linha suburbana até Caldas da Rainha e hoje em dia, artificialmente manietada.

A Grande Lisboa consome, com os seus mais de 2 milhões de habitantes bens alimentares em grande medida importados, mais de 60%, mau grado a sua própria riqueza agrícola regional de cereais e produtos frescos não serem minimamente aproveitadas. As ricas zonas de regadio do Oeste, do Ribatejo, de Loures e da península de Setúbal não conseguem colocar os seus produtos agrícolas na rede de distribuição, resultante em primeiro lugar do desmesurado peso que as grandes superfícies detém nas áreas metropolitanas, mas também da atrasada e destruturada rede de distribuição, armazenamento e frio existente.

O MARL, mercado abastecedor da Região de Lisboa, deveria ser repensado e descentralizado em virtude da sua péssima localização face as redes de comunicação. Não tem contacto com a navegação fluvial, nem com as linhas férreas. A própria proximidade da rede rodoviária ou mesmo ao centro de consumo é excêntrica.

A Grande Lisboa é responsável por atividades de serviços e consumo interno que interessa reativar. Além de também beneficiar extraordinariamente o porto de Sines, a chegada da ferrovia em bitola europeia ao Poceirão/Pinhal Novo, em Palmela, permitiria projetar
imediatamente Lisboa e Setúbal como as cidades portuárias de excelência de toda a península ibérica — como já o foram até ao séc. XIX — e numa fase posterior como interfaces indispensáveis do centro da Europa face ao extraordinário incremento do tráfego marítimo que se assistirá com o multiplicar do sistema de novos «canais do Panamá». Já não é cedo para começar a pensar nessa oportunidade!